28 novembro 2006

"Demoramos depois
de cada passo
cada palavra que temos
na garganta

Cada cidade
ou mesmo cada lágrima

Demoramos depois
de cada largo
um só jardim nos olhos
que não espanta

E um candeeiro calado
em cada canto

e o vento selado
sobre os ombros
como a saudade marcada
na garganta
e os dedos fincados sobre o sono

E cada hora em cada
passo
dado
e todo o medo transformado em raiva

e toda a dor nos olhos
só em água

Não não é apenas
aquilo que pensamos
que nos devora enquanto
demoramos"

Maria Teresa Horta

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