"Demoramos depois
de cada passo
cada palavra que temos
na garganta
Cada cidade
ou mesmo cada lágrima
Demoramos depois
de cada largo
um só jardim nos olhos
que não espanta
E um candeeiro calado
em cada canto
e o vento selado
sobre os ombros
como a saudade marcada
na garganta
e os dedos fincados sobre o sono
E cada hora em cada
passo
dado
e todo o medo transformado em raiva
e toda a dor nos olhos
só em água
Não não é apenas
aquilo que pensamos
que nos devora enquanto
demoramos"
Maria Teresa Horta
28 novembro 2006
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