"Recolho
com método e parcimónia
paciência de ermita
os restos
dos nossos mesquinhos dias
Tudo o que vamos deixando
no rasto da nossa poeira
marcas da dor
do amor
d pressa do nosso uivo
domesticado
Recolho os restos
para que só sobrem
mundos organizados
perfeitos e espartilhados
classificados
por uma consciência
da solidão
Na recolha me recolho
e vou sendo recolhida
Resto dos restos
por categorizar"
Cristina Nobre
22 novembro 2006
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