03 janeiro 2007

"Morrer sim,
não ser agredido pela morte.
Morrer convencido
de que uma tal viagem é a melhor.
E no último instante estar alegre
como quando se contam os minutos
do relógio da estação
e cada um vale um século.
Pois que a morte é a esposa fiel
que vem em vez da amante traiçoeira,
não queiramos recebê-la como intrusa,
nem fugir com ela.
Muitas vezes partimos
sem licença!
No ponto de cruzar
num átimo o tempo
quando a mais a memória
de nós se esvairá,
deixa-nos, ó Morte, dizer adeus ao mundo,
concede-nos ainda diamento.
O tremendo passo não seja
precipitado."

Vincenzo Cardarelli

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