"A tragédia de por cá andar,Não é tanto o que acontece,
É o nada acontecer.
É o deserto,
Entre o almoço e o jantar.
É a fuga,
Entre a noite e a madrugada.
É a loucura
De viver na violência.
É a luz da manhã
Desaparecer tão depressa.
É a mentira de ser,
Sem nunca saber
Que missão nos traz e guia.
É a aridez,
Entre a surdez e a promessa.
É o esforço,
Entre a Dor e o "não vou pensar nisso".
É tudo ser estéril,
Inconsequente e frouxo,
Do nascimento à morte.
É o gosto na boca
Ser a metal, e não a erva-doce.
É não haver Sol
Que encha a Alma, imortal e frágil,
Da essência que merece,
Que, sem eco, se cala,
E, a sós, fenece."
Margarida Faro
(opcd)

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