14 julho 2007


(PunkRock Princess by kittynn)


"Não esgotei na altura própria
a criança que temos de ser e de gastar.

Deve ser por isso
que eu não distingo as realidades,
que eu não vejo onde começa o impossível,
que eu sinto a insatisfação dum mesmo sítio
e desejo outro lugar constantemente;
deve ser por isso
que eu não escolho um destino para me assentar depois
e ando a tropeçar à espera, à espera,
sem mesmo disso ter perfeita consciência...
deve ser por isso
que eu estendo a mão para um objecto
e ele está mais longe que o comprimento do meu braço.

Deve ser por isso
o meu anseio de conjunto universal,
a minha curiosidade do que se disse e se escreveu,
a desordem, gritante dentro e lenta fora, que em mim ondeia e me transporta
e eu não sei expulsar nem quero.
Deve ser por isso
que jamais lembrei o desmedido infinitamente frágil de minha alma
e que, agora, lembrado e conhecido de mim mesmo,
não hei-de ainda ter emenda...


(...)

deve ser por isso
que não consigo ser "pessoa grande",
que a minha ansiedade vai além da prática,
(da prática que me foge dos dedos e, a todas
as horas, as minhas mãos têm de reaprender)
e eu vivo afogado em sonho - "O que seria se não fosse?" -
E em teoria...
Nem teoria, nem sonho - criança quase intacta...
e ainda por cima
sem perceber as meias frases, os gestos, os sinais...
sem conhecer o avesso..."

2 comentários:

Anónimo disse...

Ameio o poema Xaninha... Acho que todos nós nos sentimos um pouco assim. Há sempre um pouco (muito) da nossa infância que não vivemos da melhor maneira e que determina certos aspectos da nossa via actual, supostamente de adultas...
Beijo

Onyx disse...

Julgo que é bom manter algumas características, sem abusar, para não complicar a vida :P. Abraço grande com saudades*