23 agosto 2007
"Hoje não vou dormir
Quero reaver a morte do meu corpo.
Bebo um copo
e reaprendo a rir
o riso que esqueci na minha boca.
E sou de novo criança-adolescente
adulta-quase,
em esforço equilibrado
persistente
e firme
E volto a ser mulher
com asas penduradas num céu que não conheço.
Hoje não vou dormir
Quero assistir ao meu final de noite
e trazer ao colo a madrugada.
Hoje
e por ser hoje,
vou ser de novo em tudo
imponente
e grande
e redimida do mal que me causei
(e não mereço).
Hoje não vou dormir
Vou saudar meu corpo.
E amanhã
daqui a nada
(porque a manhã não tarda)
se alguém me perguntar
como vou de saúde
(ou coisa assim)
hei-de responder que estou bem, muito obrigada,
e respirar a vida,
sentir-me renascida.
E ser feliz."
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