21 setembro 2007

"Estou apaixonado pela morte,
disse um dia. Os deuses não me deixam
olhar para trás, perder o já perdido.

Sei que atrás de mim vem a minha vida
pedindo e concedendo-me perdão,
que a esqueça e a salve, que ame e morra.

Torno breve nos espelhos que não saciam
a sede de ninguém. Costumo
passar as horas mortas
imaginando o fogo, o brilho, o amo
do meu vazio (rosa)
coração (do deserto):
ninho de ninguém, não, espera feroz.

Fujo do que chamam amor os que não amam.

Sei que se olho para trás estou perdido
mas, se não, também. Olho as minhas mãos
como se fossem mapas ou estivessem
sujas e não tivesse água para lavá-las.

Estou apaixonado pela minha morte
e cada noite rego,
com orvalho da minha água de quando,
esta flor que nasceu na minha impotência."

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