"No mundo de recantos misteriosos
de ruas e caminhos,
que se ergue dentro de mim,
há uma rua onde nunca passei.
Todas essas ruas são feitas de sentir,
de pedaços de universos quotidianos,
dolorosos como palha seca de secos ninhos...
E não tem fim...
Nem o princípio, onde comecei,
chegou alguma vez a existir...
e o avesso dos meus olhos,
espesso e gasto na falta de carinhos,
viu-as sempre assim... assim...
a sua própria vista
é feita de não ver nada...
Na rua que eu sei dizer que não conheço
há braços que me estão abertos...
olhos que me estão despertos...
eternamente à espera de eu dizer que sim...
de eu ir tombar ali o meu sono de mim...
e se dissesse e fosse...
Mas não falo quando quero,
não quero quando posso,
e não me posso enviar, nem dirigir!...
E mesmo... essas ruas são feitas de sentir."


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