15 abril 2008

"quero sair do meu corpo

queima-me de noite à superfície
insisto ver o que não vêem os olhos
ser de lápide queima-me os sentidos
a morte do instante rastilha devagar
os sonhos altos pó das sensações

não quero perder-me o meu corpo

tocar o estinge na fronte da fonte
estilhaçar-me o sangue no vazio
grávido ardendo de mim

de bruma pesa o inferno o meu corpo

à sombra perfurada do outro
branco voa o glaciar ardendo
saio-me morto a esmagar o solo
de carne breve arde cântico o nada

só morto de mim quero o meu corpo
o meu corpo antípoda de corpo"

1 comentário:

poeta de rua disse...

travamos tantas batalhas com o corpo...parece t�o dif�cil aceitar esta luta que doi muito uns dias, outros assim-assim. Talvez haja uma raz�o para ser penosa e morosa uma qualquer aceita�o pac�fica do eu. tamb�m estou num semi-corpo. um sorriso para ti.