20 agosto 2008

"Eis-me colado à janela
do nevoeiro, fora da teoria
no momento em que o rio
me trouxe pássaros, enfim
descobriste um dom, uma agonia.

De ver e observar, olhar e
ver, aqui me lembro
de repetidos, forjados
refrãos, na crista da onda humana.
e eu, pequeno, era pouco mais


que alguém, na palavra útil,
obedecida. Queres sentir, aqui
e comigo, a água da fonte?
Da mais certa cura
e capaz de milagres, desejos.

Penso tudo isto sob o nevoeiro
e hesito em calar-me, não decido.
Estou no meio de gente - eu
nem sei se esta canção
pediu o nevoeiro ou o contrário."


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