21 novembro 2009

"Distraio-me... Sinto que amoleço,
Na música e no vinho.
Com sorte, pela conversa, dizes graças.
Pena serem as mesmas, ditas noutros dias,
Sentados a outras mesas...
Há, em ti, qualquer coisa de vulgar, de vaidoso,
De oco, vil e odioso.
Qualquer coisa de infantil, inocente,
De terno, frágil, tentador, envolvente, e eu...,
Eu sou carente e de grandes fraquezas.


Recuso, a custo, o amor proposto,
Pelo que tem de não-amor,
Pelo que é de feio e tosco,
Porque o recebes feito paga da lembrança, ou do jantar,
E o fazes, tristemente, numa espécie de rotina,
Como um dever.
Suspiro, depois. Quase me arrependo.
Talvez que, de tudo, sobrasse algum prazer,
E decido: para a próxima, quero-te objecto!
E, já de longe, de repente,
Quero-te de volta, de presente,
Para que seja eu o caçador e tu a presa.
Mas, o mais estranho, é que eu sei
Que amor não te tenho
E, quando tu não estás,
És-me indiferente."


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